
São Luiz do Anauá, no sul de Roraima, recebeu R$ 89,4 milhões em emendas Pix entre 2020 e 2024 e ficou em terceiro lugar no ranking nacional desse tipo de transferência. O município integra as investigações da Operação Acesso Negado, conduzida pela Polícia Federal (PF), na sexta-feira (3).
Os dados são da auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que também apontou Iracema, na mesma região do estado, entre os municípios investigados, com R$ 55 milhões em repasses. As verbas analisadas totalizam R$ 145 milhões.
Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu 41 mandados de busca e apreensão em Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins. A PF apura suspeitas de crimes contra a administração pública, fraude em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
A CGU informou que todas as obras vistoriadas em São Luiz do Anauá estavam paralisadas e que todos os contratos para execução dos serviços foram firmados com a TCM Construções Ltda. O órgão também apontou pagamentos considerados indevidos ou superfaturados superiores a R$ 22 milhões.
Em Iracema, a auditoria registrou contratação cerca de 32% acima da média de mercado e identificou vínculos entre as quatro empresas que participaram da licitação.
As emendas sob investigação foram apresentadas pelos parlamentares Antônio Carlos Nicoletti (PL), Hiran Gonçalves (PP), Mecias de Jesus (Republicanos), Telmário Mota, Sheridan e Jhonatan de Jesus, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Nenhum deles foi incluído entre os alvos da operação.
No dia da operação, Nicoletti afirmou em nota que a destinação de recursos é uma prerrogativa dos parlamentares e que a responsabilidade pela execução das verbas cabe ao ente beneficiado.
