Relatório do Cimi relaciona parte da violência registrada no país às disputas por terras indígenas – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Roraima aparece entre os estados com os maiores registros de violência e mortes de indígenas em 2025, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O estado contabilizou 82 assassinatos, 37 suicídios e 158 mortes de crianças indígenas de até 4 anos.

O número de assassinatos em Roraima foi o maior entre os estados brasileiros no levantamento. Em todo o país, foram 258 indígenas assassinados em 2025, contra 211 em 2024.

O Amazonas aparece na sequência, com 47 assassinatos, enquanto Mato Grosso do Sul registrou 37.

Os dados foram compilados a partir de informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade, de secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Segundo o Cimi, a violência registrada no ano passado ocorreu em meio a conflitos pela terra, invasões, vulnerabilidade das comunidades e demora na regularização de territórios indígenas.

O levantamento contabilizou 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena em 2025. Desse total, 897 estavam relacionados à omissão ou morosidade na regularização de terras; 169 envolviam conflitos relativos a direitos territoriais; e 210 estavam ligados a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

O relatório aponta que existem 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas no Brasil. Destas, 897 ainda dependem de alguma medida administrativa para regularização e 582 não tiveram providências para iniciar o processo de demarcação.

Apesar disso, o documento registra medidas adotadas em 2025: nove relatórios de identificação e delimitação foram publicados, dez portarias declaratórias foram emitidas, sete terras foram homologadas e cinco foram registradas como patrimônio da União.

Suicídios

Roraima também está entre os estados com maior número de suicídios indígenas. Foram 37 registros em 2025, enquanto Amazonas teve 77 e Mato Grosso do Sul, 42.

No país, o número chegou a 215, contra 208 em 2024. Os jovens concentram a maior parte dos casos: 41% ocorreram entre indígenas de 20 a 29 anos e 34% entre pessoas de até 19 anos.

Mortes de crianças

Outro dado de destaque é o número de mortes de crianças indígenas. Roraima teve 158 óbitos de bebês e crianças de até 4 anos, ficando atrás somente do Amazonas.

No país, foram 1.024 mortes nessa faixa etária. O Cimi classifica 586 delas, ou 57%, como decorrentes de causas evitáveis.

Gripe e pneumonia provocaram 104 mortes, doenças infecciosas intestinais responderam por 85 e a desnutrição por 32.

O relatório ainda aponta problemas de assistência em saúde, educação e outras áreas. A publicação cita falta de infraestrutura, profissionais e medicamentos, além de acesso precário à água potável e ao saneamento básico.

Povos isolados

O documento também chama atenção para a situação de povos indígenas em isolamento voluntário. O Cimi identificou 119 registros de povos isolados no Brasil, dos quais somente 28 foram confirmados pela Funai.

Foram identificados casos de invasão e danos ao patrimônio em 20 terras indígenas onde existem 45 registros de povos isolados.

O relatório relaciona a situação dos povos indígenas aos conflitos territoriais e ao debate sobre a Lei nº 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal. O documento também cita pressões econômicas relacionadas à mineração, obras de infraestrutura, exploração de gás e petróleo em áreas com impacto sobre povos indígenas.

Com informações da Agência Brasil