Projeto tem promovido cursos e oficinas voltados à valorização da história dos povos Macuxi, Ingaricó e Patamona – Foto: Daniel Machado/Omunga

Com cerca de 95% da população formada por povos indígenas, o município de Uiramutã, no extremo norte de Roraima, tem se tornado referência em ações de preservação cultural. Para evitar a perda de saberes tradicionais causada pela morte de anciãos e pela migração de jovens, o projeto Omunga no Monte Roraima promove iniciativas voltadas ao registro e à valorização da memória dos povos Macuxi, Ingaricó e Patamona.

A proposta surgiu a partir de expedições do Instituto Omunga, que ouviu comunidades locais sobre a importância de registrar suas histórias.

“O projeto foi desenhado com foco no registro de memórias, transformando professores e alunos em autores e guardiões de suas próprias histórias”, afirmou Roberto Pascoal, fundador e presidente do instituto.

Financiado com recursos da Lei Rouanet, o programa atua em quatro frentes: formação de professores, distribuição de livros, produção de documentário e curso on-line sobre educação indígena. As oficinas são realizadas nas próprias comunidades e priorizam autores indígenas da região amazônica, abordando temas como leitura, acervo cultural e relação com o meio ambiente.

Entre os resultados, o projeto documentou a receita tradicional do caxiri, a história do Rio Ailã e as memórias do tuxaua Orlando, liderança Macuxi. Até o momento, foram captados mais de R$ 1,25 milhão para financiar ações educativas e de preservação cultural em Uiramutã.

Desde sua criação, o Instituto Omunga já beneficiou mais de 16 mil crianças e 1,3 mil professores, com a distribuição de 18 mil livros e centenas de horas de formação.

“A Omunga busca aprofundar a transformação em cada território, honrando o sentido de chegar mais longe em quilômetros e mais fundo em humanidade”, destacou Pascoal.

Com informações de Manuela de Moura/Metrópoles