Encontro reuniu representantes do Mapa, da Aderr, produtores rurais, especialistas e gestores públicos – Foto: Nonato Sousa/ALERR

A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) promoveu, nesta quarta-feira (29), audiência pública para discutir os impactos econômicos, sanitários e ambientais da presença de javalis e javaporcos, estimados entre 15 e 20 mil animais nos municípios de Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Amajari e Boa Vista.

O debate contou com representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), produtores rurais, especialistas e gestores públicos.

Segundo Murilo Borges Dias, chefe do Programa de Sanidade Suína da Aderr, esses animais já estão presentes e causando prejuízos econômicos diretos aos produtores, afetando pequenas propriedades e famílias inteiras.

“Eles competem com a fauna silvestre, predam ovos e pequenos animais e representam riscos sanitários, como peste suína clássica, peste suína africana, febre aftosa e raiva. A maior concentração está nos municípios do entorno de Boa Vista, especialmente em Alto Alegre.”

Frank Vieira Júnior, presidente da Cooperativa Roraimense de Suinocultores, afirmou que o Estado vem crescendo na produção de soja e milho, e os javaporcos causam grandes prejuízos.

“Cerca de 80% da criação de suínos ainda é feita de forma extensiva, com animais soltos, o que facilita o cruzamento com javalis e aumenta o risco de doenças. É preciso que o Ibama e o governo do Estado autorizem ações conjuntas com os criadores para controlar essa população.”

Para Rafael Salerno, presidente da Associação Brasileira de Caçadores “Aqui tem Javali”, a presença do javali é uma ameaça ambiental e econômica.

“Em todo o mundo, ainda não há solução definitiva para o problema, mas o controle por caça autorizada é o método mais eficaz. Em Roraima, o desafio é agir rapidamente para evitar que a infestação avance. Viemos compartilhar experiências de outros estados e reforçar a necessidade de políticas públicas para conter essa expansão.”