Ditador Nicolás Maduro segura bíblia em culto evangélico na Venezuela – Reprodução/YouTube

Nicolás Maduro vem fortalecendo sua relação com igrejas evangélicas, num contexto em que esses grupos crescem aceleradamente na Venezuela. Segundo o Latinobarómetro, a população evangélica passou de 2,1% em 2010 para 30,9% em 2023, ultrapassando a média da América Latina.

O apoio de igrejas brasileiras tem sido estratégico para o regime. A Igreja Universal do Reino de Deus, que mantém presença no país, promoveu em 2023 um culto com participação do bispo Ronaldo Santos e do próprio Maduro. Santos declarou que “o céu está aberto sobre esta nação” e pediu o fim dos bloqueios internacionais.

A aproximação, porém, contrasta com o discurso da Universal no Brasil. Em 2022, o bispo Renato Cardoso, ligado à liderança da igreja, afirmou que cristãos não podem ser de esquerda.

Para analistas, o movimento visa ampliar a influência da igreja e pode estar atrelado ao interesse por concessões de mídia. Maduro, por sua vez, retribui com medidas como reformas em templos, isenções fiscais e bônus mensais para líderes religiosos.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) criou uma vice-presidência de assuntos religiosos, hoje ocupada por Nicolás Ernesto Guerra, filho do ditador. O deputado Moisés García, ligado ao movimento evangélico, também atua como ponte entre igrejas e chavismo.

A repressão a religiosos dissidentes permanece. A ONG Portas Abertas relata perseguição a quem critica o governo, incluindo prisões arbitrárias, ataques a igrejas e negação de alimentos. Em 2024, a Venezuela ocupa o 71º lugar no ranking de países que mais perseguem cristãos.

Com informações da Folha de S. Paulo