
Uma campanha criada por venezuelanas que reconstruíram a vida em Roraima arrecadou alimentos, medicamentos e outros produtos para vítimas dos terremotos na Venezuela. Um caminhão com cerca de 17 toneladas de doações saiu de Boa Vista na quinta-feira (2).
O veículo, de 14 metros de comprimento, transporta água potável, roupas, produtos de higiene, cadeiras de rodas e itens de primeira necessidade. A carga será levada até Santa Elena de Uairén e depois seguirá para La Guaira, região mais afetada pelos terremotos de 24 de junho.
O número oficial de mortos chegou a 3.685, segundo comunicado divulgado pela ditadura venezuelana nesta terça-feira (7). As autoridades informaram que os feridos são mais de 17 mil.
A arrecadação foi feita em pouco mais de uma semana por quatro empresárias venezuelanas. A mobilização cresceu com apoio de empresários, igrejas, instituições e moradores de Boa Vista e de outros estados.
Yamilet Maita, massoterapeuta venezuelana que vive há nove anos em Boa Vista, afirmou que a campanha deve continuar mesmo após o primeiro envio.
“As pessoas estão ajudando muito agora porque a tragédia ainda está nas notícias. Quando as câmeras forem embora é que a população vai continuar precisando de ajuda”, disse.
As organizadoras relatam que chegaram ao Brasil durante a crise migratória venezuelana e hoje administram empresas que funcionam como pontos de arrecadação.
Além dos donativos, brasileiros participaram da ação como voluntários. Carina Frota Farias, diretora da unidade da Nova Acrópole em Boa Vista, informou que cerca de 50 integrantes da instituição atuam diretamente na campanha.
O transporte da carga até a fronteira foi cedido gratuitamente. O motorista Francisco Faustino afirmou que faz a viagem por considerar uma ajuda humanitária.
Dois socorristas brasileiros também viajaram voluntariamente para a Venezuela. Pedro Ortiz, bombeiro civil de 45 anos, e Maria Albuquerque, técnica de enfermagem de 28 anos, seguiram para auxiliar nas áreas atingidas.
As empresárias pretendem manter os pontos de arrecadação e organizar novas remessas de ajuda para a Venezuela.
Com informações da Folha de S. Paulo
