
Roraima aparece no topo do ranking nacional de estupro de vulnerável em 2025, de acordo com levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O estado registrou 540 ocorrências, com taxa de 73,09 casos por 100 mil habitantes.
Os estados da Região Norte concentram os maiores índices do país. Após Roraima estão Rondônia (70,55), Amapá (56,91), Pará (54,21) e Acre (51,11). O Paraná, com taxa de 44,34, é o primeiro fora da região entre os mais altos.
No Brasil, foram 57.329 registros de estupro de vulnerável no ano, representando 71% dos 80.605 casos de estupro contabilizados. Em 2024, haviam sido 51.834 ocorrências desse tipo, dentro de um total de 87.004 estupros.
O estupro é caracterizado por conjunção carnal ou ato libidinoso mediante violência ou grave ameaça. Ele é classificado como de vulnerável quando a vítima é menor de 14 anos ou não tem condições de consentir. Nos casos envolvendo menores de 14 anos, a notificação é obrigatória por parte dos serviços de saúde e assistência, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A Polícia Civil de Roraima (PCRR) informou que o aumento nos dados divulgados está relacionado à ampliação das investigações e à redução da subnotificação.
“O crescimento dos registros não representa, necessariamente, um aumento proporcional da criminalidade, mas reflete, sobretudo, a redução da subnotificação”, afirmou a corporação.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que a maioria dos casos ocorre no ambiente familiar ou envolve pessoas próximas da vítima. Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, afirma que houve crescimento da violência na esfera privada.
“Nos últimos anos, houve redução dos crimes de rua, como homicídios em espaços públicos, ao mesmo tempo em que cresceram os crimes na esfera privada, especialmente a violência contra mulheres, crianças e adolescentes, além dos crimes sexuais”, disse.
Ele também avaliou que o aumento dos registros não pode ser atribuído apenas à melhora nos mecanismos de notificação e criticou a falta de articulação entre diferentes áreas do poder público. Já Mario Sarrubbo, ex-secretário da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), defendeu que o enfrentamento do problema passa por educação e fortalecimento dos canais de acolhimento às vítimas.Parte inferior do formulário
Com informações da Folha de S. Paulo
