Iniciativa foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa em Brasília – Foto: Laudemiro Bezerra/MS

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou neste mês teleatendimento em saúde mental para mulheres em situação de violência, além de anunciar reconstrução dentária gratuita e mutirão de exames e cirurgias. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na quinta-feira (5), em Brasília (DF).

O teleatendimento começa em Recife e Rio de Janeiro, com expansão para cidades com mais de 150 mil habitantes em maio e cobertura nacional em junho. A expectativa é realizar 4,7 milhões de atendimentos psicológicos por ano, viabilizados em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).

Atendimento odontológico integral

O Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica garante atendimento integral e gratuito, incluindo próteses, implantes e restaurações. Para ampliar o serviço, serão disponibilizadas 500 impressoras 3D e scanners nas Unidades Odontológicas Móveis (UOM). Desde 2025, o Ministério da Saúde distribuiu 400 novos veículos, e até o fim do ano mais 800 unidades estarão em circulação, aumento superior a 400% em relação a 2022.

“Eu queria cumprimentar pelas ações anunciadas e reforçar que educar as pessoas na ponta é fundamental. Não é uma causa do governo, é uma pauta global”, destacou a presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Trajano.

Inclusão do feminicídio na CID-11

O Ministério da Saúde solicitou à Organização Mundial da Saúde (OMS) a inclusão do feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), para melhorar dados sobre mortes motivadas por desigualdade de gênero e fortalecer políticas públicas. A proposta será analisada pela OMS e pelos estados-membros.

“Essa é uma agenda não só estratégica, mas fundamental para o enfrentamento ao feminicídio e para salvar a vida das mulheres nos nossos territórios. No Ministério da Saúde, temos trabalhado incansavelmente porque precisamos trazer esse assunto para a pauta. Não é uma agenda só de governo, é uma agenda da sociedade, e precisamos de mais vozes”, afirmou a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas.

Estrutura de acolhimento e Sala Lilás

O governo federal implantará a Sala Lilás, presente em 2,6 mil UBS, 101 policlínicas e 36 maternidades do Novo PAC Saúde, oferecendo atendimento humanizado para mulheres em situação de violência.

Mutirão nacional de Saúde da Mulher

Nos dias 21 e 22 de março, o maior mutirão de saúde da mulher do SUS será realizado, incluindo exames ginecológicos e cirurgias oftalmológicas, cardíacas, gerais e oncológicas. Participam 45 hospitais universitários federais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), hospitais federais do Rio de Janeiro, institutos nacionais de Cardiologia, de Câncer e de Traumatologia e Ortopedia, o Grupo Hospitalar Conceição (GCH) e hospitais privados e filantrópicos.

Também em março, 26 hospitais universitários realizarão inserção do implante subdérmico Implanon, atendendo mais de mil pessoas. As carretas de saúde da mulher percorrerão 32 municípios nos estados do Paraná, Santa Catarina, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Tocantins, Sergipe, Rondônia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco e Mato Grosso.