Reunião ocorreu no Plenário da Câmara Municipal de Rorainópolis – Foto: Eduardo Andrade/ALERR

Posseiros da Gleba Rio Pretinho, em Rorainópolis, denunciaram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Grilagem uma suposta sobreposição de terras que teria afetado dez propriedades ocupadas por 25 famílias. Os relatos ocorreram nesta quarta-feira (26), durante audiência realizada na Câmara Municipal.

Participaram da reunião os deputados Jorge Everton (União), Armando Neto (PL), Renato Silva (Podemos) e Neto Loureiro (PMB).

O presidente da cooperativa local, Valmir Evaristo de Andrade, afirmou que a área não possuía registro formal quando os moradores iniciaram o loteamento em 2017. A documentação de posse foi apresentada em 2018, e em 2022 o território passou ao domínio do estado. Ele disse que o acesso difícil e o inverno rigoroso impediram investimentos, embora os cooperados tenham construído uma ponte de 60 metros e aberto 48 km de ramal com recursos próprios.

Andrade relatou ameaças e impedimentos de acesso ocorridos após a chegada de uma família que reivindicou a área em 2025. Outros moradores relataram insegurança e dificuldades para investir nas propriedades.

Técnicos do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima) vistoriaram a região nesta semana, acompanhados pelos cooperados.

A CPI foi criada em fevereiro para investigar denúncias de grilagem em áreas rurais e urbanas e apurar possível atuação de grupos criminosos no estado, com base em documentos enviados pelo Ministério Público de Contas (MPC).

O deputado Jorge Everton afirmou que o caso requer avaliação detalhada com o Iteraima. Já o relator Renato Silva declarou que, pelos depoimentos, os posseiros estariam irregulares e sugeriu que o estado retome a área para criar um assentamento familiar.